Carta Circular –
Agosto de 2026
“Olhemos para a imagem do nosso querido Padroeiro”: este é o convite que fazemos.
Na imagem sofredora do Senhor Bom Jesus, contemplamos o mistério da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nela reconhecemos não apenas a dor e o sofrimento, mas também a manifestação da misericórdia divina e do amor infinito com que Deus nos ama.
Neste ano de 2026, o tema da Novena e Festa do Senhor Bom Jesus nos conduz precisamente a essa contemplação: “Senhor Bom Jesus, rosto de misericórdia”, e o lema: “Senhor Bom Jesus, eu confio em vós!”
Ao contemplarmos a imagem sagrada do nosso querido Padroeiro, talvez o primeiro sentimento a brotar em nosso coração seja o de tristeza diante de seu sofrimento. Afinal, essa imagem nos recorda a Paixão de Nosso Senhor. Contudo, não é a tristeza que deve ocupar o lugar central em nosso coração. A cruz não pode ser contemplada separadamente da Ressurreição; o sofrimento do Senhor não é a última palavra sobre a história humana.
O Evangelho desta liturgia nos ajuda a transformar o nosso olhar. O episódio da Transfiguração do Senhor, ocorrido na presença de seus discípulos sobre a montanha, é uma antecipação da glória da Ressurreição. Antes de caminharem com Jesus rumo a Jerusalém e testemunharem sua Paixão, os discípulos contemplam, ainda que por um instante, o esplendor de sua divindade. A luz que resplandece no monte revela que, por trás da aparência humilde e sofredora do Servo, está o Filho amado do Pai.
Por isso, mesmo diante de tanta dor e sofrimento, a Ressurreição do Senhor é para nós fonte de esperança e de alegria. Mais do que um simples consolo, ela é a vitória definitiva de Cristo sobre o pecado e a morte. Em Jesus Ressuscitado, a vida encontra seu sentido último, e toda realidade marcada pela morte pode ser visitada pela luz da graça.
Nós, Missionários Lux et Pax, devemos recordar sempre a alegria cristã e cultivá-la como um dom e uma missão. Precisamos construir uma verdadeira cultura da alegria: levar esperança aos ambientes de dor, consolo aos corações feridos e luz aos lugares mergulhados na tristeza.
São Carlo Acutis, como nos conta sua mãe, testemunhava essa sensibilidade em sua própria vida. Diante de ambientes e situações marcados pelo sofrimento, procurava amenizar a dor das pessoas, oferecendo-lhes alegria, presença e conforto. Sua alegria não era superficial nem ingênua; nascia da amizade com Cristo e da certeza de que Deus jamais abandona aqueles que sofrem.
A alegria é também uma característica presente na vida de muitos santos. Santa Teresa de Calcutá, por exemplo, incentivava suas irmãs a manifestarem, por meio do sorriso e da delicadeza, a ternura de Deus. O sorriso cristão não nega a existência da dor, mas proclama que a dor não possui a palavra definitiva. Mesmo em meio às lágrimas, a esperança permanece viva.
Também nós, Missionários Lux et Pax, somos chamados a ser missionários da alegria em tudo aquilo que fazemos. Recordemos a espiritualidade da Quarta Estação da Via-Sacra: a Mãe encontra o seu Filho carregando a cruz e, com sua presença, oferece-lhe consolo e força naquele cenário dramático. Maria talvez não pudesse retirar a cruz dos ombros de Jesus, mas podia permanecer junto dele. Sua presença silenciosa tornou-se uma forma profunda de amor.
Assim também devemos agir. Nem sempre poderemos solucionar o sofrimento dos nossos irmãos, mas poderemos estar ao lado deles, oferecer-lhes atenção, escuta, ternura e esperança. Poderemos levar-lhes um pouco da alegria que nasce da fé.
Somos filhos e filhas de Nossa Senhora dos Prazeres, invocação que nos recorda as alegrias de Maria e a presença da graça de Deus em sua vida. Por isso, somos chamados a anunciar ao mundo que Jesus está vivo, que venceu o pecado e a morte e que nenhuma situação de sofrimento está fora do alcance de sua misericórdia.
Levar alegria por meio da nossa arte: este deve ser o compromisso de cada Missionário e Missionária Lux et Pax.
Levar alegria por meio do teatro, da dança, da música, da pintura e de tantas outras expressões artísticas. Fazer isso de modo autêntico, generoso e evangelizador. Essa é uma dimensão da nossa identidade e uma forma própria de anunciar o Evangelho. Cada pessoa deveria poder olhar para nós e reconhecer:
“Eis um
missionário, uma missionária, artista da alegria!”
Ser um Missionário Lux et Pax é carregar uma marca e assumir um compromisso: ser missionário do Senhor Bom Jesus e de Maria Santíssima. Isso significa fazer o bem e levar aos irmãos a misericórdia de Deus. Significa permitir que, em nossas palavras, gestos e atitudes, transpareça a bondade do Senhor.
Há muitas pessoas vivendo situações de morte, tristeza, abandono, solidão e pecado. A elas devemos levar a misericórdia. Devemos olhar para cada pessoa, seja ela quem for, com o olhar compassivo de Cristo. Devemos cuidar de cada irmão com respeito, paciência e ternura, tornando-nos sinais vivos da misericórdia no mundo de hoje.
Às vezes, bastará um sorriso, uma gentileza, uma palavra amiga, um gesto de atenção ou uma presença silenciosa. Pequenas atitudes, quando realizadas com amor, podem transmitir algo da misericórdia divina e recordar a todos que o coração de Deus permanece aberto e que sua misericórdia abraça toda criatura.
Que
Maria Santíssima, Mãe do Senhor Bom Jesus, Mãe de Misericórdia e Causa da Nossa
Alegria, nos ajude, neste dia, a renovar o nosso compromisso com esta bela
missão: levar ao mundo a luz, a paz, a misericórdia e a alegria que brotam do
encontro com Jesus Cristo.
Viva
o Senhor Bom Jesus!
Missionários
Lux et Pax
Itapecerica
da Serra, 06 de agosto de 2026.
Solenidade
do Senhor Bom Jesus, Padroeiro-mor da Obra Missionária Lux et Pax.




