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sexta-feira, 8 de março de 2019

Eis o tempo propício: Tempo da Quaresma - O que nos ensina a Palavra de Deus sobre este tempo de graças!

Tempo da Quaresma
Imagem: Internet
“Eis o Tempo de Conversão, eis o dia da salvação, ao Pai cantemos, juntos exaltemos, eis o tempo de conversação”

Este canto resume o Tempo da Quaresma e também nos aponta o caminho espiritual que devemos trilhar para bem viver este tempo e colher suas bênçãos e frutos! Para ajudar melhor viver este Tempo, trazemos uma breve reflexão sobre as três práticas chaves, recomendadas, sobretudo, neste tempo, mas que não deve ser praticadas só durante estes 40 dias, dado o significado do número 40 que você irá encontrar neste artigo. Boa Leitura!

O número 3 é um número simbólico recorrente várias vezes na Bíblia: três são as pessoas da Santíssima Trindade, três são as maiores virtudes (esperança, fé e caridade), três são os anos de ministério de Jesus, três são os dias que Jesus permaneceu na morada dos mortos, ressuscitando ao terceiro dia! Na Natureza, naquilo que Deus criou, vemos a predominância do número 3, características próprias dadas pelo seu Criador que é trino: na música: harmonia, ritmo e tempo; na física: altura, dimensão e profundidade; no tempo: passado, presente e futuro e assim por diante.
Também são 3 práticas principais que a Igreja nos recomenda na Quaresma: ORAÇÃO, JEJUM e CARIDADE! Neste texto iremos estudar e meditar sobre cada prática.

ORAÇÃO
Leia Lucas 4, 1-13 e texto complementar Marcos 1, 12-13.

Constantemente podemos nos esbarrar com este pensamento, "vocês só ficam na Igreja rezando, não trabalham não? Não se divertem?", são pessoas que acreditam que a oração seja uma perca de tempo. Para entender a importância da oração recorramos ao texto do Evangelho que estamos refletindo. Um primeiro elemento/símbolo dado é o DESERTO onde Jesus fica 40 dias. Assim, o Evangelho recorda a travessia do povo de Israel no deserto após ser liberto da escravidão do Egito. As Sagradas Escrituras nos diz que o Povo sob a liderança de Moisés levou 40 anos para fazer esta travessia do Deserto. Deserto significa a ausência de vida, a aridez de nossa vida, as dificuldades, simboliza também o silêncio ou retiro. Retiro é um tempo de reflexão, um momento de pararmos e refletir sobre nossa vida, como estamos vivendo? O que estou fazendo de certo ou errado? As decisões que estou tomando ou devo tomar? Aí o significado da QUARESMA.
Vejamos, aqui nos é apresentado outro símbolo, o número 40, que como os 40 anos ou 40 dias representa o tempo de Deus que é o Kairós - 1 dia pode ser 1 ano para Deus, como mil podem ser apenas 1 segundo. Também simboliza a TOTALIDADE ou o TODO, portanto, significa dizer, no caso de Jesus que em TODA a sua vida Ele foi tentado! Não quer dizer que apenas ele foi tentado no tempo em que ficou no deserto! Também, significa que basta este exemplo para falar de toda a sua vida, por exemplo, quantas coisas um escritor fez em sua vida, mas ele é recordado muitas vezes por um livro que escreveu.
Também nós somos tentados pelo pecado em toda a nossa vida. O Bom Jesus, se fez um como como nós, viveu como nós, se submeteu à condição humana para nos deixar o exemplo, contudo, o que nos difere do Mestre é que Ele não cometeu pecado nenhum!
A totalidade do número 40 associado ao símbolo do deserto recorda que toda a nossa vida deve ser este deserto, uma travessia, como a caminhada do Povo de Israel. Significa que toda nossa vida deve ser está reflexão, este retiro espiritual. Portanto, falar de Oração não significa falar apenas do Pai Nosso, da Ave Maria, de levantar as mãos, de ajoelhar-se, significa também que nossa vida deve ser uma constante oração/oblação para vencer os pecados que no Evangelho lido são três, aqui a referência novamente ao número 3.
Veja a palavra ORAÇÃO é a junção de dois radicais: ORAR + AÇÃO. A vida começa com a oração, passa pela oração e termina com a oração, ela deve ser toda Oração. Quantas vezes acordo, me levanto, passo todo o meu dia e depois vou dormir sem fazer minha oração, falar com Deus? É estranho um cristão que chama Deus de Pai e não ter esta intimidade com Ele, é a mesma coisa que um filho que mora com o pai sair de casa voltar e não falar nem um "oi" para ele. Oração é falar com Deus, amizade com Ele. 
Sabe porque muitas vezes não alcanço a vitória? É porque não rezo, não falo com Deus, tomo uma decisão sem parar para pensar, não coloco Deus à frente! Quando você vai fazer alguma coisa, qual é sua primeira atitude?
Como sugestão, sugerimos a você, ao acordar rezar a Oração do "Vinde Espírito Santo", desta forma começar assim o seu dia. Esta era um prática do papa São João Paulo II, um conselho de seu pai quando ele era uma criança.
Para encerrar esta parte, analisemos um trecho de uma música, já que falamos de deserto, Povo de Israel, se você souber cante: 

"Também sou teu povo, Senhor, e estou nesta estrada/ Somente a tua graça me basta e mais nada".

JEJUM
Leia Mateus 6,1-18.

Jejum também conhecido como sacrifício ou penitência é prática antiga, encontramos exemplos já no Antigo Testamento, como o profeta Elias, em São João Batista e entre os primeiros cristãos.
É recorrente escutar de muitos católicos: "Deus não quer sacrifícios e sim a misericórdia". Deus não pode contradizer a tua palavra. Desculpe-nos dizer, mas o católico que pensa e age assim está dando uma desculpa, é o cristão de conveniência, ou seja, fazer ou que é conveniente, aquilo que "me convém", "que gosto de fazer". Nada de esforços. Será que estou agindo certo, como bom católico? Católico que usa este versículo "Deus quer a misericórdia e não o sacrifício" de forma incorreta, para justificar uma tibieza, um conforto espiritual, não compreende o que o Mestre nos quer ensinar.
Muitos levam a oração apenas para o lado do pedido e da intercessão, abusando até muitas vezes, só lembrando de pedir, deixando de fazer sua parte! Quantos usam Deus como amuleto mágico, como o gênio da lâmpada apenas para atender os seus desejos, vontades e pedidos. É aí que mora a raiz da descrença e do abandono. Se Deus faz o milagre tudo bem, mas se não faz é fanfarrão, não existe. Lembra-te da passagem do Evangelho que Jesus foi levado a presença do rei Herodes e este lhe pediu um milagre para ele ver, como se Jesus fosse estes mágicos que apresentam seus números em shows apenas para entretenimento, fazendo disso um espetáculo. Como atualmente, nós vemos estes espetáculos! Recordemos as palavras do Divino Mestre: "Está geração adúltera e perversa pede um sinal, eu lhes digo: não será dado outro sinal do aquele do profeta Jonas".
Vejamos o que nos testemunha o missionário Lux et Pax  Raphael Araújo: "sou  católico apostólico romano, mas foi com uma irmã evangélica que aprendi o valor do Jejum! Ela me disse: 'quer alguma coisa? Quer alcançar uma bênção? Dobre o seus joelhos, reze e faça jejum!'. Não é qualquer oração, é uma oração fervorosa, não aquela que multiplica as palavras, mas que é espontânea e que nasce no coração. Não estou aqui discutindo qual denominação cristã é a verdadeira ou não e sim a experiência de fé dos cristãos. Se sou católico e escutei uma evangélica, sendo que isto se aprende já na minha igreja é assunto para outra conversa, aliás prefiro ficar com a frase do Pe. Zezinho, scj: 'Meu irmão que reza diferente, mas que tem a mesma fé no Deus Verdadeiro' e que por isso posso aprender, mesmo nas diferenças, com o testemunho e experiência de vida de cada cristão."
Parece que se está repetindo o tema oração, mas oração e jejum andam juntas, o jejum é o complemento de oração. Devemos aprender que a oração e o jejum são aliados para poder se vencer a batalha espiritual. Sim, trata-se de uma guerra, a oração e o jejum são nossas armas O jejum é a espada e a oração é o escudo! Não se trata de uma guerra contra homens e sim uma guerra espiritual e, a fé é o alimento e base desta oração e jejum. 
Vania uma mãe católica, deu este testemunho um dia: "minha filha que é evangélica, pode frequentar uma igreja que não concordo de ela ir lá, mas ela me surpreende com sua fé, todos os dias de manhã ela ora de joelhos ao pé da cama, fervorosamente e muitas vezes fala palavras de fé, como esta: 'Deus vai fazer'".
A oração é alimento espiritual, com ela nos alimentamos da Palavra de Deus, ou seja, escuto o que Ele me diz e também respondo quando falo com Ele. Já o jejum nos ensina o valor do sacrifício. Se Deus atende alguns de nossos pedidos devemos render ação de graças, mas se Ele não nos atende, devemos ser maduros suficientes espiritualmente, assim adquirimos sabedoria na vida!
Vejamos o exemplo de Moisés: enquanto o exército de Israel sob o comando de Josué combatia o exército de Amalec, Moisés com as mãos levantadas intercedia pelo seu exército. Enquanto ele mantinha as mãos levantadas o seu exército vencia, mas quando ele as abaixava era o oponente que vencia. Foi então que colocaram pedras debaixo dos braços de Moisés para apoia-los e assim o exército de Israel venceu. Moisés rezava e os braços levantados era o sacrifício. Este trecho nos fala da constância, da insistência e nos recorda outra passagem: os apóstolos rezavam incessantemente com Maria e foi assim que eles receberam o Espírito Santo. Se queres alcançar alguma coisa, lembra do que nos ensina Jesus em Marcos 9, 14-29.  Aqui um ensinamento de Santa Teresa de Calcutá nos ajuda muito: "se acreditas que rezou o suficiente, reze mais".
Nossa Senhora em suas aparições recomendou o sacrifício, no caso de Fátima, ela recomendou fazer penitência, no entanto, teve o cuidado materno de pedir a São Francisco Marto, um dos pastorinhos videntes, que não exagerasse. Deus não pede nada além de nossas capacidades físicas. Um sacrifício é como uma dieta, como exercícios físicos para emagrecer, mas não podemos exagerar, fazer conforme suportamos. Deus não quer que nos machuquemos, mas não significa que não devemos deixar de fazer o jejum, isto é muito importante de se dizer, não significa deixar de praticar o jejum! Quando falarmos de Caridade/Esmola vamos entender o versículo citado anteriormente: "Quero a misericórdia e não o sacrifício", Deus nos recomenda o jejum, mas do que adianta o jejum se não agimos com amor e misericórdia?
Lembremos que o Mandamento da Igreja nos pede a abstinência de carne na quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa! Durante alguns dias da Quaresma, como as quartas e sextas será bom também fazer esta abstinência.
O jejum significa os sacrifícios cotidianos de cada dia, oferecer nossas dificuldades cotidianas é uma forma de jejum. O sacrifício é fazer a vontade de Deus, não a minha vontade, não aquilo que me convém, aquilo que acho certo ou gosto! Significa também o arrependimento sincero do coração, a conversão dos nossos pecados, mudança de vida, ir até o sacerdote e confessar nossos pecados, nos arrepender deles e mudar de vida! Ir na Igreja e participar  do Sacrifício da Santa Missa é um sacrifício da nossa parte, é fazer a vontade de Deus. Nesta quarta-feira o símbolo desta penitência e mudança de vida são as cinzas.
Mas fazer jejum não significa motivo de tristeza. Depois do carnaval, alguns vê a Quarta-feira de cinzas como nostalgia, dia de luto, ressaca. Jesus é quem preenche o vazio interior que carnaval e alegria do mundo nenhuma consegue preencher. Ele é a verdadeira felicidade, pois Ele é a própria felicidade que procuramos. Veja o que nos diz o Evangelho que estamos meditando: "quando fizeres jejum, não vos apresentai com o semblante triste, pelo contrário põe a melhor roupa e passa perfume na cabeça". Isto significa também dizer que diante das dificuldades da vida não devemos ficar com o semblante triste, reclamar dos problemas, pelo contrário.
Sorrir enquanto se está triste? Louvar a Deus pelas dificuldades? Sim, São Paulo nos ensina: "Alegrai-vos em todas circunstâncias, repito: Alegrai-vos". A oração de louvor e agradecimento nos ensina muito e é de grande poder. Santa Tereza de Calcutá não permitia que nenhuma de suas irmãzinhas saísse do convento para a missão sem ter um sorriso no rosto!
Não podia terminar sem falar do maior sacrifício que nos dá vida e salvação: a Morte de Jesus na Cruz. Nestes dias que antecede a Páscoa o convidamos você olhar com devoção para o crucifixo.
Sugestões de sacrifícios para esta Quaresma que nos ajudará a ver que jejum não se faz somente na Quaresma: desligar um pouco a televisão, durante o programa favorito para rezar; recitar o terço de Nossa Senhora; rezar a Via Sacra; 15 minutos de adoração diante de Jesus Sacramentado; procurar o sacerdote para uma boa confissão; praticar uma obra de misericórdia (ler próximo paragrafo falando sobre a esmola); não contar mentiras ou fofocas e tantos outros jejuns.

ESMOLA
Leia Mateus 25, 31-46 e texto complementar Mt 6, 1-4.

Esmola também conhecida como Caridade ou Obra de Misericórdia, vejamos do que se trata.
Se você leu as últimos dois capítulos em que falamos sobre as práticas da Quaresma, Oração e Jejum, irá perceber que conforme se foi desenvolvendo a reflexão houve como que uma repetência dos assuntos, enfatizando desta forma que o tripé de prática espiritual para a Quaresma - Oração, Jejum e Esmola - estão uma relacionada com a outra, uma complementado a outra, quase que se misturando, apesar de formar um todo, cada qual apresenta suas particularidades que se somam as particularidades das outras.
Esmola para alguns tem uma conotação negativa, ou seja, trata-se aqui de subestimar o sentido desta prática. Relacionamos esmola como resto, como algo indigno. Há aqueles que pensam que basta apenas dar esmola aos pobres para assim poder entrar no céu.
Primeiramente, devemos lembrar que esmola, trata-se de uma ajuda aquele que necessita. Não é apenas ajudar materialmente, vai além. Jesus pede no Evangelho que demos preferência, principalmente, aos pobres. Se levarmos em conta a questão do dinheiro, veremos que quem precisa de esmolas é o pobre. Porém, se esmola vai além do quesito material, então entendemos que também o rico precisa de nossa esmola. Quantos ricos não precisam de uma escola espiritual? 
Para entender melhor, vejamos o que o Papa Francisco nos ensinou: "a Igreja Católica não é uma ONG e os cristãos católicos não são voluntários!" A esmola aqui não deve ser subentendido apenas como assistencialismo, esmola é um gesto de caridade e caridade não é "fazer caridade", mas amar! Aqui o sentido da  esmola: o Amor! Caridade vem da palavra em latim "caritas" (lê-se cáritas) significa amor, bondade, compaixão, indulgência, perdão, já a palavra em latim vem do grego e neste idioma tem um significado especial: graça, ou seja, dar esmolas ou fazer caridade ao próximo como nos ensina os Santos Evangelhos é amar que é uma graça de Deus!
Para uma palavra quero chamar tua atenção: COMPAIXÃO, com+paixão, paixão é dor, sofrimento, quando falamos de compaixão estamos querendo dizer de sentir a tristeza, a dor do outro, sofrer seu sofrimento, ajudá-lo a passar por isto, ajudá-lo a carregar a sua cruz.
Observe que caridade, voltando ao tema jejum, também pode ser subentendido como um ato de sacrifício: amar o próximo, que pode ser de vários modos, visitar um família carente, um idoso, ajudar as vítimas de uma tragédia, dar conselhos, também orar pelos que fazem o mal, perdoar aqueles que nos ofenderam, apenas para citar alguns exemplos. A esmola, portanto, é um gesto concreto de oração e jejum, pois "do que adianta a fé sem as obras?" (cf. São Tiago, apóstolo e Santo Antônio de Pádua).
Também costumo dizer que caridade, agir de compaixão, é se fazer "fraco com os fracos" (São Paulo, apóstolo), mas isto não significa rebaixar sua dignidade, é questionável, por exemplo, se fazer morador de rua para ajudar um morador de rua, se não tenho dignidade, como vou dar dignidade ao outro? É como dois cegos, um não pode conduzir o outro. Devo sim me fazer amigo dos necessitados, mas para ajudá-los a se levantar.
Depois de dizer tudo isso vamos chegando a conclusão que dar esmola não pode se resumir a dar esmola por dar, ajudar apenas financeiramente, mas dar dignidade, ajudar o próximo se levantar. Bom seria você ler a Parábola do Bom Samaritano (ver Lc 10,25-37) para melhor assimilar o que estamos vendo. Cuidado com muitas noções de cunho da doutrina espírita que diz que fazer caridade é para alcançar a purificação individual, o Evangelho que estamos estudando contradiz este conceito, o que a mão direita faz a esquerda não fique sabendo. Não entraremos no céu sem ajudar o próximo a se levantar. Nosso passaporte para o céu é o irmão que ajudamos, entraremos no céu se estivermos de mãos dadas com o próximo, é a espiritualidade da cruz: uma cruz tem duas hastes, uma na vertical outra na horizontal, a vertical lembra o relacionamento do homem com Deus e a horizontal do homem com o seu semelhante! Também recorda aquilo que meditamos na quinta estação da Via Sacra a ajuda do Cirineu a Jesus levar a cruz!
Quantos sacrificam suas vidas para fazer o bem, ajudar o próximo. Em tempos tão difíceis, em que nos deparamos com tantos atos de ódio e mal, que estes grandes heróis da fé nos ajude a resgatar a esperança, que vale a pena fazer o bem, que no meio de um mundo cheio de exemplos de maldade podemos também fazer o bem, pois o bem sempre triunfará, afinal.
Esmola é por em prática, como ato concreto, o mandamento que nos pede: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo"!
Como gesto concreto de caridade, a Igreja do Brasil nos propõe a Campanha da Fraternidade (CF), que neste ano trata sobre políticas públicas. Todos participamos deste processo político e com uma boa política pública construímos um país melhor para todos. Peçamos então a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, que nos auxilie a entender o tema da CF deste ano e nos ajude a viver melhor esta Quaresma para que produza frutos na nossa vida, frutos que ajude nossa comunidade eclesial e as pessoas dispersas pelo mundo.

Cantemos: "Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão..."

Que em tudo seja o Bom Deus Glorificado!
Deus a/o abençoe!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Meditação e Partilha da Palavra – Pão Nosso de cada dia, nosso alimento Espiritual

6° Semana do Tempo Comum - Ano C - Lucas

Paz do Bom Jesus e o Amor de Maria!

Hoje iremos relembrar as leituras que marcaram o ritmo dos dias da 6° Semana do Tempo Comum, tendo como base a leitura retirada da Carta de Hebreus, 1° leitura do último sábado, 23 de fevereiro.
Reserve um tempo para este estudo da Palavra de Deus e Oração, se possível acenda uma vela, prepare seu oratório, sugerimos você fazer anotações no seu Diário Espiritual, escrevendo aquilo que você achou mais importante e que Deus lhe falou.
Leitura Bíblica: Hebreus 11,1-7.
A leitura de Hebreus encerra o ciclo de leituras que nesta semana meditou o livro do Gênesis dos capítulos 4–9, mas precisamente até o capítulo 11. Estamos vivendo o primeiro ciclo do Tempo Comum deste ano de 2019, que irá até o início do Tempo da Quaresma, que será celebrada na próxima semana com a quarta-feira de cinzas.

Caim e Abel
Imagem: Internet
Nestas leituras de Gênesis relembramos ou (conhecemos) a História de Caim e Abel, o primeiro assassinato, onde recordamos as tantas cenas de violência que acompanhamos estarrecidos no noticiário, sem se esquecer daquelas que não se tornam pauta no jornalismo. Nota-se, infelizmente, que cada vez mais o homem esta afastamento Deus do seu coração, podemos escutar em cada clamor do sangue de tantos Abel(s) do dia de hoje o quanto o homem esta perdendo a humanidade e a caridade para com o seu próximo, resultado de uma cultura de violência que se baseia e alimenta no egoísmo e na ganância de poder, dinheiro, status. O ser-humano é tratado quase como que nada. Esta cultura de medo e violência precisa ser exorcizado. É tempo de voltar ao primeiro amor. É tempo de oração! Precisamos de mudanças drásticas, como por exemplo, educar bem os jovens, dever de cada pai, mãe, educador. E não custa repetir, regado com uma boa dose de temor à Deus e oração!
Depois pudemos acompanhar a trama da história de Noé. O
Arca de Noé e o Dilúvio
Imagem: Internet.
pecado entra e toma conta do mundo e por isso Deus manda o Dilúvio. É preciso entender que o Bom Deus em nenhum momento quis destruir a humanidade e nem a criação e sim o pecado, ou seja, lavar com a água do Dilúvio a Criação corrompida pelo pecado e dois símbolos se destacam neste relato: a arca onde a vida é preservada, hoje a arca é a Igreja e a água do dilúvio que faz alusão ao nosso batismo. Pelo Batismo cristão nós somos lavados de nossos pecados e nos tornamos membros da comunidade cristã e filhos adotivos de Deus.
Encerramos a semana lembrando a Cátedra de Pedro, ou seja, a base de nossa fé. A leitura da Carta aos Hebreus aqui destacada relembra a fé dos nossos antepassados atestada por “um bom testemunho” (v. 2). É pela fé que entendemos como o universo, da qual fazemos parte como criatura, foi criado e “organizado por uma palavra de Deus” (v. 3). O texto ainda destaca a fé de alguns personagens: Caim e Abel (v. 4), Henoc (v. 5) e Noé (v. 7).
Frase bonita que merece ser destacada, é a que diz: “as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê” (v. 3) com a qual podemos fazer a seguinte reflexão individual e pessoal: como esta a minha fé? Não podemos ver Deus, mas podemos o sentir “aquilo que não se vê”.
“A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera” (v. 1). Peçamos a graça a Deus de renovar a nossa fé, pois ela (a fé) não é um sentimento ou algo que provêm do coração humano e sim de Deus. A fé é uma virtude destacada ao lado lá esperança e da caridade e nos ensina o Apóstolo São Paulo que a Caridade é o dom maior, por exemplo, um filho quando está no erro, sua mãe não desiste de rezar por ele, mesmo que ainda o mundo e todos digam para ela que seu filho não tem mais jeito, a fé desta mãe pode até esmorecer, mas o seu amor pelo seu filho é maior e por isso ela não deixa de crer e rezar pela sua conversão. Por isso, que dizemos antes: precisamos voltar ao primeiro amor e devemos fazer isto olhando para um norte que é Deus e quem nos aponta este norte é São Pedro. Pedro é quem confirma a nossa fé (cf. Lc 22,31-32).
Cátedra de Pedro
Imagem: Internet
Queremos agora convocar a todos a rezarem pelo ministério petrino do nosso Papa Francisco, nosso pastor e capitão do nosso barco. Humilde, atual e urgente foi sua atitude em convocar na última semana os bispos para tratar de um assunto tão delicado: o abuso de menores por membros da Igreja. Enquanto vemos o mundo bombardeando por todos os lados nossa Igreja, Pedro numa posição firme continua a confirmar nossa fé, ato profético de pedir perdão e tomar decisões claras que orienta o barco para o norte, apontando o caminho a seguir, “as portas do inferno não prevalecerão” pois é a “minha Igreja” é Cristo quem nos diz. E é sobre Pedro, a pedra angular de nossa fé, que nossa Igreja foi edificada (Mt 16,18). Ela, além de tudo, é assistida pelo Espírito Santo.
Oremos pedindo a renovação de nossa fé, dizendo como aquele pai do Evangelho que tinha um filho atormentado por um espírito mudo: “Eu tenho fé, mas ajudai a minha falta de fé” (Mc 9,24). Peçamos também pela nossa Igreja, pedindo a intercessão de Nossa Senhora! Não sintamos vergonha da nossa fé, não tenhamos vergonha de ser católicos!

OrAção
Comece invocando o Espírito Santo, abrindo-se a sua ação e se esvaziando de tudo aquilo que o destraí, depois num tempo de silêncio sinta a precenca de Deus e deixe o Espírito Santo ir fluindo no seu coração.
Peça ao Bom Jesus o dom da fé, ele nos prometeu que quem tiver a fé do tamanho do grão de mostarda é capaz de mover montanhas, também nos ensina que quem bate à porta a porta se abrirá.
Nem só de pão viverá o homem,
mas de toda a Palavra que procede da boca de Deus.
Imagem: Internet
Reze como aquele pai do evangelho que tinha um filho com espírito mudo:  “Eu tenho fé, mas ajudai a minha falta de fé”.
Peça ao Senhor que cure sua fé, que ele renove e restitua a sua fé. Peça ao Senhor um avivamento de sua fé no Santo Espírito. Peça que o Senhor cure dos seus medos, desconfiancas, decepções, de tudo aquilo que possa atrapalhar a sua fé.
Lembre-se de alguns personagens da Bíblia, como: Abraão, Davi, a mulher que foi curada do fluxo de sangue, Pedro e tantos outros... reze com estas palavras: "Senhor eu creio, mais aumentai a minha fé"... Vai pedindo a graça de uma mudança de sua fé com as suas palavras... Peça uma fé mais viva, mais confiante, sem timidez...

Termine professando a sua fé, rezando: Creio em Deus...
Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
Reze uma Ave Maria pelo Papa emérito Bento XVI e o Papa em exercício Francisco e pela Igreja.

Deixe seus comentários, diga se este texto o ajudou na sua caminhada de fé, deixe seu Pedido de Oração para que os missionários Lux et Pax interceda por você e também partilhe o seu Testemunho.

Compartilhe com que precisa, ajude a levar e anunciar o Bom Jesus para mais pessoas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Meditação e Partilha da Palavra – Pão Nosso de cada dia, nosso alimento Espiritual

5° Semana do Tempo Comum - Ano C - Lucas

Paz do Bom Jesus e o Amor de Maria, irmã e irmão!

Palavra de Deus, alimento da Comunidade - Imagem: Internet
A partir desta semana, sempre que possível, queremos propor meditar juntos com vocês a Liturgia Diária: uma pequena reflexão das leituras que a Igreja nos convida a ler cotidianamente, para que deste modo possamos nos alimentar do pão da Palavra no dia-a-dia: o Pão Nosso de cada dia, que o Bom Deus nos dá hoje!
Após esta reflexão vamos propor um roteiro de oração, convidando cada um que ler fazer sua oração espontânea, convidando cada pessoa também a levar aquilo que aprendeu na leitura, estudo e oração da Palavra para a vida, ou seja, para a atitude, como gesto concreto, deste modo fazendo um exercício de oração, fé e vida.
Para este momento de oração convidamos a todos a trazer suas próprias experiências, os acontecimentos do dia-a-dia e as situações concretas da sociedade que nos cerca, para sermos fermento no meio do mundo. 
Este momento de oração ao final de cada partilha e meditação da Palavra será um tempo que convidamos você doar, como gesto de sacrifício e louvor a Deus, para pedir, agradecer, adorar e interceder.
A reflexão da Palavra de Deus a partir da Liturgia da Palavra que aqui apresentamos não ousa ser um estudo teológico detalhado e nem um tratado científico, mas um instrumento e auxílio catequético e pastoral, uma singela forma de Evangelização. Sabemos da importância da ciência e principalmente da teologia para o estudo bíblico, contudo, não é esta a proposta e sim uma aproximação da Palavra de Deus numa linguagem simples e atual, um anúncio kerigmático, sem abrir mão de tudo da ciência e da sabedoria, por isso, desde já pedimos aos mais entendidos desculpa por alguma falha, estamos abertos a correção e a críticas criativas e construtivas. Esperamos, no entanto, a compreensão da singeleza deste ato pedindo, desde já, as luzes do Espírito Santo, pois este é um instrumento dele, obra dele e queremos, somente, trazer as almas para um doce encontro com o Bom Jesus!
Também não faremos a meditação da Liturgia Diária todos os dias, pois não teríamos espaço neste blog, dividiremos em blocos, ou seja, fazendo uma síntese da semana ou do tema proposto a partir do conjunto de algumas leituras, também preferimos meditar a partir de uma leitura, seja ela a I ou II Leitura, o Salmo Responsorial ou o Evangelho do Dia, sempre de acordo com o tema que queremos abordar ou na ótica dos acontecimentos, pois a Bíblia é lâmpada para o cotidiano que vivemos.
Procuraremos também trazer alguns exercícios da Lectio Divina para enriquecer ainda mais esses nossos artigos e teremos o prazer, ao longo da caminhada, de explicar do que se trata a Lectio Divina.
A Liturgia Diária faz parte do tesouro espiritual da Igreja, temos acesso a ela pela tradição e pelo magistério da Igreja e, quem se aproxima desta fonte de água viva, que é a própria Santa Mãe Igreja, com fé e esperança, pode alcançar maravilhosas graças e bênçãos do nosso Pai do Céu. Muitos não sabem, muitos não conhecem, muitos talvez saibam mas não aproveitam, por isso esperamos que este nosso trabalho de evangelização os ajude a ter um encontro ou mesmo reencontro pessoal e verdadeiro com este Deus vivo e santo que ama cada um de nós.
Ajude este projeto de evangelização a chegar mais longe e alcançar mais pessoas, compartilhe com seus familiares e amigos, sobretudo, aquele ou aquela que mais está precisando de ouvir e ler uma Palavra Amiga de Deus.
Vamos iniciar esta coluna refletindo as I Leituras que foram propostas na semana passada, ou seja, a V Semana do Tempo Comum onde pudemos refletir Gênesis dos capítulos 1-3, tendo como base para esta reflexão a I leitura da última sexta-feira, 15 de fevereiro, trata-se de Gn 3,1-8. Lembrando também que estamos no Ano Litúrgico C – Ano do evangelista São Lucas.
Antes, porém, sugerimos que você pegue sua Bíblia e leia diretamente na fonte as citações bíblicas apresentadas, destaque a palavra mais importante ou que te chamou a atenção. Reze pedindo o Dom maior e o auxílio divino, o Santo Espírito de Deus. Vá para um lugar tranquilo, escolha uma hora tranquila, prepare também seu oratório doméstico: uma imagem de Jesus e Maria, do seu santo de devoção, acenda uma vela, coloque flores no seu oratório ou que tal chamar sua família para meditar a Palavra de Deus, este texto e rezar juntos? Chame também seus amigos e vizinhos. “A família que reza unida, permanece unida!”
Nosso mundo é maravilhoso - Imagem: Internet
Nesta semana (V Semana TC) a Igreja nos propôs meditar o Livro do Gênesis, especificamente os primeiros capítulos que falam da criação do universo, da natureza, da fauna, da flora, do mar, da terra... e da criatura mais amada: o homem e a mulher. Além disso estás leituras apresentam para nós a origem do pecado e nos próximos dias irá nos falar das consequências do pecado (I Leituras da VI Semana TC). 
Nestas leituras somos convidados a contemplar o esplendor e a beleza da criação de Deus e aqui, queremos chamar a tua atenção para o cuidado que nós devemos ter para com a natureza, relembrando as recentes tragédias ambientais de Brumadinho-MG e as fortes enchentes e deslizamentos que aterroriza algumas localidades da região Sudeste e Sul do Brasil, como exemplo daquilo que pode ocorrer em consequência do descuido e descaso do homem, da ganância econômica ao destruir ou mexer com o equilíbrio que se há no Meio-ambiente. “A criação geme como dores de parto” (Rm 8,22), lembra-nos o Lema da Campanha da Fraternidade de 2011 que abordou está problemática de nossa relação para com a preservação do Meio-ambiente.
O Papa Francisco na sua Carta Encíclica Laudato Si que trata sobre o assunto nossa casa comum, a ecologia, “faz várias críticas quanto ao nosso modo de pensar, ser e agir num mundo que vive hoje uma grave crise socioambiental” (pe. Josafá Carlos de Siqueira, SJ) e nos adverte: “o meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos” (LS, 90) e ainda “o urgente desafio de proteger a nossa casa comum incluí a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar” (LS, 13).
Deus criou tudo do nada, tudo o que Ele viu, achou bom e abençoou, cabe ao homem cuidar, pois foi assim o plano de Deus desde o início ao entregar ao homem o dever de dominar, ou seja, cuidar. Dominar não é destruir, pelo contrário, é cuidar! Preservar para que se multiplique para as futuras gerações. Desde o cuidado com o papel de bala que jogamos no chão, cuidar de descartar o lixo de casa de forma consciente (coleta seletiva), reutilizar a água usada e a água de chuva devidamente acumulada e armazenada (sem se descuidar do mosquito transmissor da Dengue, que adora água parada) até não matar uma árvore ou judiar de um animalzinho, preservar os rios e mares, enfim todo o biossistema. É dever de todos!
Não poderíamos deixar de comentar o versículo que fala “Deus fez homem e mulher, homem e mulher os criou”(cf. Gn 1,27). O bom Deus na sua bondade deu ao homem uma companheira tirada de um pedaço de uma de suas costelas. Primeiramente, devemos recordar que Deus nos fez a sua imagem e semelhança (Gn 1,27), se “Deus é amor” (I Jo 4,8) como afirma São João, então fomos feitos a imagem e semelhança do amor, ou seja, para amar. É no coração do homem que Deus colocou e guardou o seu amor, o princípio criador que nos aproxima de Deus, quando temos ódio em nosso coração, então temos o pecado, aquilo que nos afasta de Deus, pois Ele não conhece o pecado, Ele é santo. O coração aqui é representado pelo símbolo que se encontra no texto, a costela esquerda do homem (Gn 2, 21-22) de onde Deus tirou um pedaço para fazer a mulher, ou seja, de um pedaço do coração do homem, Deus fez uma companheira, uma amiga, pois em sua compaixão “Deus não achou bom o homem viver só” (Gn 2, 18), Deus a trouxe para perto do homem (Gn 2,22). É nela que está o ventre onde cada ser humano é formado e dele nasce depois, é do seios de uma mulher que a criança recebe o primeiro alimento, ao exemplo de Maria Santíssima, na mulher encontramos uma amiga, um auxílio, o amor, melhor dizendo, o complemento do amor! Diante do exposto é inconcebível, em pleno século XXI, tolerarmos crimes de feminicídio e agressão verbal, moral e física contra a mulher! Isto não é brincadeira! Basta! Precisamos combater este tipo de crime e exigir leis mais duras e uma educação melhor. Devemos exorcizar a cultura de violência presente no nosso meio expresso pelo ditado: “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”.
Na leitura escolhida para orientar está reflexão, um trecho nos chama a atenção: “...a voz do Senhor Deus, que passeava pelo jardim” (Gn 3, 8), veja aqui a proximidade que existia no início entre nossos primeiros pais, Adão e Eva, e Deus no paraíso. Que lindo imaginar isto, poder ouvir os passos de Deus, mas que por conta do pecado, está proximidade e intimidade foi afastada. De um lado vemos a situação ideal do paraíso, aquilo que Deus quis, que Ele fez: a expressão do plano do Criador em relação ao mundo e ao homem e do outro a situação real da experiência cotidiana, a responsabilidade cabe ao homem e a ninguém mais. Estamos constantemente expostos e vulneráveis a experiência da provação ou tentação, representado na leitura pela serpente (Gn 3,1) cabe ao homem escolher se prefere ao pecado que o afasta ou a intimidade que aproxima-o de Deus no Paraíso. E este movimento de afastar-se do pecado e aproximar-se de Deus começa em lembrar que você, o próximo, todos nós fomos feito à imagem e semelhança de Deus.
Somos lindos e lindas aos olhos de Deus e abençoados também! E vivemos todos num “What a Wonderful Wold - mundo maravilhoso” (Louis Armstrong) como canta o poeta. Fomos feitos para dar certo, pois Deus nos ama desde a nossa criação, desde o nosso nascimento e será assim por todo o sempre para aqueles que creem no seu poder e amor.
Encerramos esta parte com este trecho do gracioso cântico de São Francisco de Assis, que louva o Senhor pela e na sua Criação:
“Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol
Que clareia o dia
E com a luz nos alumia”

Abreviaturas utilizadas neste texto
LS – Laudato Si – Carta Encíclica de S.S. Francisco, papa
Gn – Livro do Gênesis
I Jo - I Carta ou Epístola de São João

OrAção


Vinde, Santo Espírito, enchei os corações dos vossos fiéis - Imagem: Internet
Convidamos você a adentrar na presença de Deus, durante alguns minutos não se preocupe com mais nada que possa te afastar desta intimidade com Deus e abra o seu coração para esta presença maravilhosa.
Com suas palavras invoque o Espírito Santo, pedindo a Ele que conduza este momento...
Depois reze: Vinde Espírito Santo, enchei o coração dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruis os corações dos vossos fiéis, com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre de sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Depois agradeça a Deus pela sua vida, sua família, tudo aquilo que você tem...
Pai querido, Pai amado, neste momento quero render Ação de Graças agradecendo por tudo o que és para mim, que significa para mim, que fazes por mim... Encerre louvando ao Senhor, rendendo a Ele a devida adoração.
Agora faça o seu pedido, peça a Deus o que você precisa... Faça também sua oração de Intercessão pedindo por aquela pessoa que precisa de oração ou que pediu as vossas orações... Não se esqueça de pedir a Deus a graça de receber a força e a vontade de começar colocar em prática na sua vida aquilo que você aprendeu na leitura bíblica que aqui foi meditada. Agradeça a Deus pela Natureza, peça para que você seja uma pessoa que colabore na preservação do Meio-ambiente, interceda também pedindo pelas famílias e vítimas das últimas tragédias noticiadas nos jornais: Brumadinho-MG, enchentes e deslizamentos, os jovens do Morro do Urubu-RJ. Também interceda pelas mulheres vítimas de violência, talvez por algum caso que há na sua família...
Encerre este momento rezando algum Salmo, talvez o Salmo do Dia. Depois reze a oração da manhã ou da noite e encerre rezando o Oferecimento Diário colocando as intenções deste mês que se encontra do lado esquerdo deste blog e logo após termine este momento de oração rezando um Pai-Nosso, uma Ave-Maria, Santo Anjo do Senhor, Glória ao Pai...
Convidamos você rezar, sempre que possível, a Oração dos Padroeiros da Missão Lux et Pax, o Senhor Bom Jesus e Nossa Senhora dos Prazeres, Mãe da Luz e da Paz.
Coloque em comentários seus Pedidos de Oração e Agradecimentos, os Missionários Lux et Pax irão interceder por eles.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma breve história da Lectio Divina

Igreja primitiva e Padres do Deserto

A leitura orante da Bíblia, ou LECTIO DIVINA, é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta forma de oração, conscientes do plano de Deus e da sua vontade, podemos produzir frutos espirituais em nossa vida.
Pois bem, a Palavra de Deus, desde o começo do cristianismo, cumpre uma função importante. Ela nutre a fé e orienta a vida dos fiéis.
Igreja Primitiva. Vejamos algumas componentes da vida na comunidade primitiva, reunida para o culto: “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At  2,42).
Posteriormente, São Paulo dirá a Timóteo o seguinte “Ensinando isto aos irmãos, serás um bom ministro de Jesus Cristo, nutrido com as palavras da fé e da boa doutrina, que tens seguido fielmente” (Tm 4,6). “Até que eu chegue aí, dedica-te à leitura, à exortação, ao ensino” (v.13). Quando fala da leitura: “Trata-se da leitura pública da Escritura, tal como se praticava nas reuniões de oração na sinagoga (cf. Lc 4,16-21; At 13,14-16). Alguns pensam que se alude aqui não só à leitura de textos do AT, mas também de epistolas paulinas ou de outros escritos cristãos” (TEB, 1994).
Padres do Deserto. No séc. III, muitos homens (hoje conhecidos como Padres do deserto) se afastaram do mundo e foram viver no deserto para se dedicarem melhor e exclusivamente a Deus, na solidão, austeridade, renúncia dos bens,  silêncio e oração, etc. Tais pessoas são: Anton, Arsénio, Zacarias e muitos outros que sempre se sentiram movidas pela Palavra de Deus.
Por outro lado, mesmo existindo, naquela época, um alto grado de precariedade na cultura e analfabetismo, os monges (anacoretas e cenobitas) do deserto colocam a Escritura no centro da sua espiritualidade. O uso das Sagradas Escrituras era algo comum nos mosteiros do baixo Egito. Os monges aprendiam de cor alguns versos dos salmos, frases do Evangelho e relatos do AT. Simplesmente, a Palavra ocupava grande parte do dia. Era cantada, repetida, rezada, aprendida, deixando-se por ela transformar.
Foto: De reprodução.
Os eremitas dispunham muito tempo para lembrar e meditar. Durante o trabalho eles recordavam alguma Palavra ou frase da Escritura, que tinham aprendido de cor. Repetiam e tratavam pôr em prática a Palavra meditada.
Eles faziam uma hermenêutica (alegórico-espiritual) da letra do texto, caracterizada pela liberdade do Espírito. Faziam, também, exegeses cristológicas do Antigo Testamento. De fato, Cristo ocupa o centro de toda a Revelação. O AT, portanto, deve ser lido à luz do NT. Jesus é o vencedor do Maligno antigo.

Resultados da Lectio Divina. A Escritura protegia os monges no combate espiritual. A Lectio Divina era um conforto espiritual e psicológico na vida de solidão. De fato, a meditação da Palavra ajuda de modo eficaz a viver com equilíbrio em todas as dimensões da pessoa. Em resumo, a Palavra de Deus transmitida tanto de maneira oral como escrita era extremamente importante na vida cotidiana da Primitiva Comunidade cristã e dos Padres do Deserto. Eles se sentiam sempre na presença de Deus antes, durante e depois da Lectio Divina.
Autor do Texto: Cristóbal Ávalos

Bibliografia:
Bíblia Tradução Ecuménica. TEB. - São Paulo : Loyola, 1994.
Bíblia de Jerusalém. - São Paulo : Paulinas, 2002.
Bíblia Sagrada. CNBB. - São Paulo : Canção Nova, 2012.

Diccionario Biblico. AUTORES VARIOS. Mundo Hispánico.
Historia de la Lectio Divina. Izquierdo Antonio. - Roma : Ecclesia, 2010. - Vol. 4.
Vocabulario Griego del Nuevo Testamento. Sígueme Editorial. - Salamanca  : Sígueme, 2001.